(Lady) Marmalade

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Quando eu era criança via minha mãe comer uma laranja cortada em quartos todo dia de manhã e não conseguia entender como ela achava bom comer aquilo. Na minha opinião a laranja era azeda, muito azeda e com um certo amargor, preferia mil vezes uma maçã ou uma banana, frutas mais docinhas. Daí que eu cresci, meu paladar mudou; some-se a isso o fato de laranja ser a sobremesa mais comum no bandejão e eu passei a apreciá-las. Sem contar que aprendi a cortar uma laranja em quartos com uma faca sem serra – a faculdade é o lugar de onde você tira o maior número de conhecimentos inúteis possível.

Bom, se eu não gostava de laranja pura o que dizer então de Marmalade, a geléia que é feita inclusive com a casca? Achava incompreensível alguém querer passar uma coisa amarga daquelas no pão. Hoje em dia o que eu não consigo mesmo é comer aquela geléia de uva industrializada da qual eu gostava quando criança, ugh! Dona de um paladar diferente e inspirada por este post da Ana quis também brincar de compoteira e fazer uma panela de Marmalade para chamar de minha.

Recorri novamente ao Forgotten Skills of Cooking e a Darina não me decepcionou, achei uma receita facinha facinha de Marmalade e pus mãos à obra. Os principais utensílios usados para esta receita foram todos devidamente surrupiados da cozinha da minha mãe: uma panela enorme de alumínio que ela usa para fazer fios de ovos e uma tigela de metal.

Para fazê-la você vai precisar de:

2 kg e 250g de laranjas – eu usei laranja pêra;

2,5 litros de água;

5 xícaras de açúcar aquecido.

Lave bem as laranjas e as coloque na panela junto com a água, tampe a panela e deixe no fogo por volta de duas horas, até que as laranjas estejam macias. Deixe esfriar, escorra o líquido e reserve – é mais fácil deixar as laranjas e o líquido esfriar durante a noite. Em uma tábua corte as laranjas ao meio e retire o miolo com uma colher, eu usei a minha colher de sorvete para fazer isso e serviu perfeitamente. Corte as cascas bem fininhas e coloque as sementes em um saquinho feito com tecido de saco (Faça o saquinho você mesma, é muito fácil: é só pegar um pedaço pequeno de pano de prato e costurá-lo com as sementes dentro). Volte tudo para dentro da sua panelona: os miolos das laranjas, as cascas cortadas fininhas, o saquinho com as sementes e a água que você guardou da noite anterior. Leve a ferver até que a mistura tenha reduzido à metade, adicione o açúcar aquecido e mexa em fogo alto até que dissolva. Ferva até que a geléia dê o ponto, coloque em potes esterilizados e feche bem logo em seguida.

O que é o tal do açúcar aquecido? É açúcar normal que você coloca em uma tigela de metal e leva ao forno baixo por uns quinze minutos, até que o açúcar esteja quente ao toque das mãos. Cuidado para não deixar no forno por muito tempo senão ele pode começar a caramelizar.

Por que usar açúcar aquecido? Quanto mais rápida a geléia é feita, mais fresca e mais gostosa ela fica. Se você colocar o açúcar frio (em temperatura ambiente), vai demorar mais para dissolver e a geléia não terá um gosto tão fresco, explica Darina Allen.

Como eu sei que a geléia deu o ponto? A Darina dá duas opções para você ter certeza. A primeira é medir a temperatura com um termômetro de doces, ela estará pronta a 104 graus Celsius ou 220 Farenheit. A segunda é colocar um pouco da geléia em um prato que esteja bem frio (eu deixei o meu uns 2 minutinhos no freezer) e empurrá-la da borda para o centro com um dedo; se surgirem algumas ruguinhas a geléia estará no ponto.

Um dos muitos potes produzidos. É uma boa ideia para presentear amigos.

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Sobre Ângela

Professora, mestranda e dona de casa. Ou seja, a pessoa que, na concepção dos outros, menos trabalha no mundo.

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