Manteiga!

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Eu adoro essa ilustração, aliás, adoro todas as deste livro de contos que tenho desde tempos imemoriais.

Quando eu era pequena meu pai sempre lia uma história na hora de ir dormir e uma das minhas preferidas era a dos “Três Porquinhos”, acho que gostava do jeito como eles construíam e depois defendiam suas casinhas. Nessa versão que eu ouvi muitas e muitas vezes, o terceiro porquinho engana o lobo umas vezes, sendo que na última ele se esconde dentro de uma batedeira de manteiga e sai rolando ladeira abaixo. Eu sempre achei engraçada a ideia da batedeira de manteiga, pra mim essa era mais uma das coisas que se compra pronta e embalada no mercado. Assim como o leite e a carne, a manteiga vem da prateleira do mercado, não existe um “antes”. Daí que eu cresci e descobri que manteiga nada mais é do que creme de leite batido. Não é uma revelação bombástica pra qualquer ser humano? Não é incrível você pensar que se pesar a mão no chantily ele poderá ser passado no pão?

Aí eu descobri que no “Forgotten Skills” a Darina Allen dá as dicas pra você poder produzir a sua própria manteiga, vi que a Ana do La Cucinetta fez e deu certo e por fim o Chef John do Food Wishes também tem um vídeo mostrando como bater manteiga na mão. Achei que fazer a coisa assim na raça era demais pra mim e me inspirei no porquinho da casa de tijolos; usei minha batedeira interplanetária – como diria minha amiga Selma. É tão, mas tão fácil de fazer que dá vontade de não mais comprar tabletes. Pena eles ainda serem mais baratos do que a feita em casa.

Tudo o que você precisa é de creme de leite e água bem gelada. Eu bati na batedeira planetária, mas tenho certeza que uma batedeira comum deve dar conta do recado. Afinal de contas, é só creme de leite. A dica é deixar tudo BEM gelado, tigela e pás, uns 3 litros de água, uma outra tigela e a peneira. Se você tiver pás de manteiga também, senão dá pra usar um pão duro, que também deverá estar gelado. Por que tudo gelado? Porque se estiver quente a manteiga gruda e derrete.

Você vai bater o creme em velocidade média até que a manteiga comece a se formar e se separe de um líquido esbranquiçado que é o buttermilk. Nessa hora você pega a sua peneira gelada e coa: numa tigela buttermilk e na peneira a manteiga. Volta pra batedeira pra sair o que ainda restar de buttermilk (mais ou menos um minuto) e repete o passo anterior. Guarde esse buttermilk, já que pode ser usado pra fazer um monte de receitas e a gente não encontra pra vender nos mercados daqui. Rende uns 500ml, o que é bastante coisa.

Manteiga

Agora é a hora de pegar toda aquela água gelada e meter a mão na massa. Coloque cerca de um litro de água na tigela que está com a manteiga e amasse bem, pra sairem os últimos suspiros de buttermilk que ainda possam estar por lá. A água vai começar a turvar e aí você repete aquele processo com a peneira, mas essa água você descarta. Faz isso mais uma ou duas vezes, até que a água saia limpa.

Lembra do pão duro que deveria estar geladão? Neste momento ele entra em ação para dar forma à manteiga. Eu embrulhei meus tabletinhos em papel manteiga, mas pode ser em papel alumínio ou filme plástico também. Com o pão duro – o ideal é ter um par – ou com as mãos você vai moldando a manteiga até ficar no formato que você deseja. Aí é só embalar.

Sem sal a manteiga dura menos tempo, por volta de uma semana. Com sal ela se conserva por duas ou três semanas. Para adicionar o sal, separe o tanto de manteiga que você quer salgar e acrescente antes de dar o formato desejado, eu misturei com um garfo mesmo. A quantidade foi a mais famosa da culinária: a olho mesmo.

Manteiga devidamente sovada e lavada.

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Sobre Ângela

Professora, mestranda e dona de casa. Ou seja, a pessoa que, na concepção dos outros, menos trabalha no mundo.

Comentários

  1. juliana diz:

    gostei muito da dica…. muito facil de fazer

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