Pêssach ou Passagem

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Apesar de, em português, ser mais conhecida como “Páscoa judaica”, a festa que se inicia hoje de noite encontra sua melhor tradução na simples palavra “Passagem”. E por que isso? Porque foi isto o que aconteceu há tantos anos atrás durante a fuga do Egito. Foi naquele momento em que deixamos de ser escravos e nos tornamos homens livres, para sempre.

Pêssach marca a passagem da escravidão para a liberdade, do inverno para a primavera; é tempo de renovação e, por isso, passagem. Os dias que antecedem a festa são de preparação para ela: faxina na casa toda para nos livrarmos do que não está sendo usado e de tudo que é alimento chamêts, fermentado. Durante oito dias o único tipo de pão permitido é a matzá, pão não fermentado. O motivo por trás deste costume foi a rapidez com que o êxodo do Egito aconteceu, não deu tempo do pão fermentar e ele foi assado desse jeito mesmo, o que resultou naquele pão que mais parece um biscoitão de água e sal. Outra explicação, essa ouvi do Rabino Michel Schlessinger e gostei muito, vem do fato  que Pêssach marca a entrada da primavera e como esse é um tempo de renovação, é tempo de criar um novo fermento a partir de um primeiro pão que seria feito apenas com água e farinha. O fermento velho é descartado para dar lugar a um novo, o que, na minha opinião, também tem um pouco a ver com a obsessão judaica por limpeza e higiene.

Então hoje fui reler um pouco sobre a festa, seu significado e suas tradições e cheguei a este texto muito bonito; que me fez refletir sobre como anda a minha vida e quais são as coisas que eu quero para ela e quais aquelas para as quais já não há mais espaço neste novo ciclo que se inicia. E preciso dizer que não poderia ter passado esta noite, as festas judaicas são sempre celebradas na véspera, de uma maneira melhor; dando início ao que eu quero que ocupe o espaço daquilo que já vinha fermentando há tanto tempo na minha cabeça.

Uma boa passagem para todo mundo que passa por aqui. Chag sameach!

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Sobre Ângela

Professora, mestranda e dona de casa. Ou seja, a pessoa que, na concepção dos outros, menos trabalha no mundo.

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