Comfortable food

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Já tem um certo tempo que se fala sobre comfort food por aí, aquela que nos faz sentir reconfortados em momentos ruins, capaz de nos transportar de volta ao passado a cada garfada que damos. Geralmente está relacionada a sabores da nossa infância, por isso o mac and cheese provavelmente seja considerada a comfort food americana por execelência. No livro “Em busca do tempo perdido” é onde talvez encontramos o exemplo mais clássico de todos, Marcel Proust fala sobre Madeleines quando quer contrastar memória voluntária e memória involuntária.

“Tão logo o líquido quente misturado às migalhas tocou meu paladar um arrepio me percorreu e eu parei, voltado para a coisa extraordinária que estava acontecendo comigo. Um prazer exótico havia invadido meus sentidos, uma coisa isolada, desvinculada, sem nenhuma indicação de sua origem. E, de uma vez, as vicissitudes da vida se tornaram indiferentes para mim, os desastres inócuos, a brevidade ilusória – esta nova sensação tendo em mim o efeito que o amor tem ao me preencher com uma essência preciosa; ou, melhor dizendo, esta essência não estava em mim, ela era eu. De onde veio? O que significava? Como eu poderia aproveitá-la e apreendê-la? … E de uma vez a memória se revelou. O gosto era o mesmo daquele pedacinho de madeleine que, às manhãs de domingo, m Combray ( porque nestas manhãs eu não saía antes da missa), quando eu ia dizer bom dia a ela em sua quarto, minha tia Léonie costumava me dar, primeiro molhando o bolinho em sua xícara de chá. A visão da pequena madeleine não havia evocado nada à minha memória antes que eu a provasse.”

Eu poderia fazer uma lista de quais seriam as minhas e sei que estaria sendo injusta ao deixar alguma de fora por puro esquecimento.

Pão-de-queijo, aquela gelatina branca com uns pedaços de gelatina colorida no meio, pizza de muzzarella da cozinheira da minha avó e até mesmo um McFish quando estou viajando… Isso só pra listar muito poucas de todas as comidas que me trazem boas lembranças ou algum conforto.

Acho legal pensar essa relação que temos com a comida, que ela pode rapidamente, a partir de um cheiro ou um sabor, nos transportar para muito longe de onde quer que seja que estejamos. Ao mesmo tempo, também há aquelas que nos trazem conforto por serem, além de gostosas, fáceis e rápidas de serem feitas. E foi pensando assim que há uns dias atrás eu abri uma lata de sopa Campbell’s de cogumelos. O cheiro que veio me levou rapidinho de volta pra cozinha do apartamento onde morei com a minha mãe durante a adolescência, o sabor para a hora em que nos sentávamos para jantar e ver a novela das oito, que naquela época ainda começava às 20h, o calor trouxe o conforto necessário e rapidez com que ficou pronta foi essencial num momento de muita fome e pouca inspiração.

E vocês? Qual comida traz boas ou más memórias?

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Sobre Ângela

Professora, mestranda e dona de casa. Ou seja, a pessoa que, na concepção dos outros, menos trabalha no mundo.

Comentários

  1. Luisa Socorro diz:

    O cachorro quente da minha mãe sempre lembra as minhas festinhas de aniversario!! Bjos Lu

  2. Ângela diz:

    Festinhas feitas em casa tinham um sabor bem mais gostoso, né, Lu? Eu amava as minhas!
    Beijo!

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