Sobre cozinha molecular e amizades

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Recentemente tenho tido cada vez mais contato com um tipo de gastronomia que nunca me disse muito respeito: a alta gastronomia, aquela de restaurantes bacanudos. Por causa de uma amiga queridíssima, gastrônoma formada, ouvi falar em cozinha molecular pela primeira vez na vida. Sempre soube que qualquer receitinha, por mais simples e banal, é uma reação química, uma vez que envolve ingredientes e alguma alteração de temperatura. Mas daí a ir tão a fundo quanto esses chefs mudérrrnos têm ido, nunca tinha me ocorrido.

Minha cozinha é simples, geralmente requerendo apenas os ingredientes que podem ser encontrados facilmente na minha despensa. Não digo em qualquer depensa porque o dispensável para mim pode ser o indispensável para você – e eu sou ótima com trocadilhos.  Mas é aquela coisa básica de ter os ingredientes para um bolinho simples, um arroz com ovo salvador da pátria. Os artigos de luxo culinário são arroz carnaroli, cuscus marroquino, um parmesão mais gostoso… Se resolver preparar alguma coisa mais elaborada é necessário ir comprar. Nisso se inclui também o aparato todo, apesar de não poder reclamar do meu equipamento eu não tenho um tanque de nitrogênio líquido na minha cozinha.

E nessas de conhecer mais sobre alta gastronomia fiz uma imersão na biblioteca da minha amiga e adorei ver os livros e revistas dela. Dois deles me chamaram a atenção em especial: Escoffianas Brasileiras do Alex Atala e Noma: Time and Place in Nordic Cuisine do René Redzepi. O primeiro me chamou atenção por ser do chef brasileiro mais laureado, já o segundo mais por causa do título do que por qualquer louro que o chef tenha recebido. Ainda estou na vibe de comidas nórdicas, norueguesas para ser mais específica, por causa de um certo viking que existe em minha vida. Apesar disso e de ter gostado muito da proposta do René, que é usar ingredientes locais na época da safra, deixei-o de lado uma vez que é muito difícil encontrar a matéria prima de seus pratos em nosso clima tropical (o Henrik que se adapte ao tempero brasileiro).

Me peguei com o Atala e não me arrependi, que livro legal esse Escoffianas Brasileiras! Sabe quando você abre um livro e não quer largar? Ele combina texto, fotografia e receitas de uma maneira tão fluida, tão natural que não dá vontade de largar. E ler que o chef mais top top dizer que se orgulha não de ser um chef e sim de ser um excelente cozinheiro, fez meu coraçãozinho se encher de alegria. Apesar de grande parte das receitas que aparece no livro ser de pratos bastante elaborados como: espuma de ouriço do mar, gel de tomate verde, coxinha com recheio de gelatina e outras coisas nesse estilo, ele como cozinheiro aprecia uma comida simples e bem feita.Pode ser só preconceito meu, mas eu tendo a pensar que o sucesso sobe à cabeça das pessoas e elas viram umas esnobes chatas. Dá vontade de chamá-lo pra vir bater um ranguinho aqui em casa. Quer ser meu amigo, Alex Atala?

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Sobre Ângela

Professora, mestranda e dona de casa. Ou seja, a pessoa que, na concepção dos outros, menos trabalha no mundo.

Comentários

  1. nicole diz:

    hahahaha verdade! e poxa essas coisas nem parecem ser tão gostosas 🙁

  2. Ângela diz:

    Eu ainda não tive a oportunidade de provar da cozinha do D.O.M., mas preciso admitir que boa parte dos pratos, pelas descrições, não me atraem muito…

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