Pregando no batente

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O que têm a ver o martelo,os pregos, o batente, esse papel escrito em letra estranha e essa caixinha psicodelicona com este texto? Muito simples, caro leitor, é que segunda eu finalmente me mudei. Depois de três meses de transição, segunda foi o dia de pegar prego, martelo e mezuzá, dar meia dúzia de marretada e dizer: “Essa casa é minha!”

Ficou mais confuso, néam? Por isso pedi pro meu consultor de assuntos judaicos e professor de hebraico, Theo Hotz, escrever uma breve explicação sobre a mezuzá:

A Torá nos conta que a última das dez pragas a atacar o Egito foi a morte dos primogênitos.
Segundo a tradição oral, o Faraó teria invocado seus deuses, pedindo que eles matassem os
primogênitos dos hebreus. Deus teria se vingado, ordenando que o Anjo Exterminador passasse sobre a terra do Egito e
ferisse de morte a todo primogênito. Para evitar que os primogênitos hebreus morressem, Ele ordenou a Moisés que pintassem o batente (mezuzá, em hebraico) das portas com o sangue de um cordeiro. Conta a Torá que o Anjo Exterminador passou pelo Egito e pulou as casas dos hebreus (Ex 12, 12-13).
Muitos anos depois, a Torá nos ordenou duas vezes que escrevêssemos as palavras do Shemá Israel (profissão de fé do judaísmo) nos batentes (mezuzót) de nossas casas. Assim, toda casa judaica traz em seus batentes uma caixinha. Dentro desta caixinha se encontra um pergaminho enrolado, onde estão escritos os dois trechos da Torá que ordenam esta prática (Dt 6, 9 e Dt 11, 20).
Chamamos esta caixinha, juntamente com seu pergaminho, de mezuzá, por serem fixadas em nossos batentes. A mezuzá é uma lembrança de que nossos lares devem ser guiados pela luz da Torá, e nossas famílias devem crescer à luz da ética proposta por esse escrito sagrado. Outra interpretação diz que a mezuzá é um símbolo da proteção divina. Por isso é comum que as caixinhas tragam gravadas em sua superfície a letra hebraica shín, inicial da palavra shomêr, guardião, em alusão ao verso bíblico “O Guardião de Israel jamais descuida, jamais dorme” (Salmo 121).
Por tudo isso, a mezuzá é um dos itens principais e mais sagrados de uma casa judaica. Assim, é muito comum mostrarmos reverência a seu texto, beijando-lhe sempre que entramos ou saímos de nossas casas.
Ou sejE, o papelzinho escrito em letra esquisita são as orações que o Theo citou na explicação aqui em cima e a caixinha psicodelicona é onde o papelzinho fica guardado quando pregado na porta. Assim, ó:


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Sobre Ângela

Professora, mestranda e dona de casa. Ou seja, a pessoa que, na concepção dos outros, menos trabalha no mundo.

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