Dona-de-casa, dona do mundo

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Dia 31 de outubro é o dia da dona-de-casa e por causa disso as meninas do Donas de Casa Anônimas estão fazendo um mês comemorativo. Entre as muitas coisas legais que elas prepararam está uma série de blogagens coletivas sobre o assunto e o tema da primera são as donas-de-casa em tempo integral. Mesmo não sendo este o meu caso, achei que valia a reflexão sobre o assunto, que nunca chegou a ser discutido aqui.

Há um tempo atrás publiquei um texto sobre a dona-de-casa e o LinkedIn, no qual eu falava sobre a dificuldade que eu tive em preencher o meu perfil com qualificações que não fossem consideradas dotes de menina prendada. É claro que eu tenho boas qualificações profissionais, mas, se parar pra pensar melhor sobre o assunto, chego à conclusão de que até a profissão que eu escolhi tem seu ladinho Amélia. Quem nunca chamou ou ouviu alguém chamar Letras de “curso espera marido” que atire a primeira pedra. Uma amiga chegou a me dizer uma vez que seu pai, quando perguntado pelos amigos sobre o que ela estava estudando respondia: “Tá fazendo um cursinho Mellita”. É de doer, né?

Isso tudo me faz pensar que, atualmente, é mais difícil bancar a decisão de ser dona-de-casa em tempo integral do que bancar o power ranger vermelho e ter dupla jornada: dentro e fora de casa. Não apenas isso, mas a opção por uma carreira que não seja das que vai te levar às posições mais altas no mercado de trabalho, com os melhores salários e benefícios. E aí a posição da dona-de-casa fica ainda mais desvalorizada, afinal de contas, como assim alguém pode optar por trabalhar duro sem receber qualquer pagamento em troca?

Acho que cada uma sabe onde aperta o sapato e o que funciona ou não para si. Eu, pessoalmente, não me vejo dedicada a ser dona-de-casa em tempo integral pois gosto de dar aulas e não pretendo parar, mas acho que é possível chegar num ponto de equilíbrio e dar conta das duas coisas.

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Sobre Ângela

Professora, mestranda e dona de casa. Ou seja, a pessoa que, na concepção dos outros, menos trabalha no mundo.

Comentários

  1. Ai Angela, me desculpa mas achei engraçado a expressão “cursinho Mellita”, eu não sabia dessa má fama do curso de letras, hehehe. Mas realmente parece que optar por ser dona de casa ou assumir que é dona de casa (mesmo trabalhando fora) parece que é algo vergonhoso para a sociedade infelizmente, porém por outro lado está se tornando cada dia mais comum (ainda bem). Que haja equilíbrio e liberdade para todas nós.

  2. Adorei a comparação com o power Ranger vermelho… Kkkkkk

  3. Ângela diz:

    Sério que você nunca tinha ouvido a expressão “cursinho Mellita”? É o cúmulo do preconceito, né?
    Como você mesma disse, Rentata, que haja equilíbrio e, principalmente, liberdade para todas nós!
    Beijo

  4. Mayra Almeida diz:

    Um dia desses pesquisando receitas pela internet encontrei seu blog e adorei. Tô lendo tudo que consigo, gosto do seu jeito de escrever. Gostaria de comentar esse post mais antigo e super concordo com você. A vida de dona de casa não devia ser desvalorizada pois eu acho é muito difícil. E o que é curso Melita? Nunca tinha ouvido falar.

  5. Ângela diz:

    Oi, Mayra! Obrigada pelas palavras tão gentis! Fico sempre tão contente quando recebo este tipo de retorno!
    O “curso Melita” foi a expressão que o pai de uma amiga usou uma vez para descrever o que, antigamente, chamavam de “curso espera marido”. Aquela graduação que a mulher faz sabendo que não vai exercer a profissão depois de formada.
    Beijo!

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