Bolo mármore de curar tristeza

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Nos primórdios da minha vida paulistana, segunda-feira era dia de ir ao Extra que fica atrás da USP pra fazer as compras pra semana e garatido no carrinho era um bolinho tipo Pullmann, mas que podia ser de outra marca, pra comer no café-da-manhã. Os campeões de audiência eram laranja e mesclado, que se alternavam semanalmente. Um tempinho depois me aventurei nos de pacote, daqueles que só precisam juntar leite, ovos e manteiga, que o lance é começar voando baixo pra decepção de ver o primeiro bolo queimar não ser tão grande. E eles queimavam, invariavelmente, por causa de uma porcaria de uma fôrma de silicone que eu tinha e que acabou indo pro lixo depois de ser acidentalmente cortada na tentativa de desenformar um bolo. Tempos depois veio a primeira batedeira, uma Walita branquinha, que me possibilitou bater claras em neve decentemente pela primeira vez – no meu curriculum de dona-de-casa falta saber bater clara em neve não, já tentei mi vezes e sempre fracassei – e também fôrmas melhores, que não deixavam o  bolo queimar. Assim fui me aprimorando até a tão esperada KitchenAid chegar e eu poder dizer, orgulhosamente, que sou uma boleira de mão cheia.

Muitos e muitos bolos depois, me dei conta de que nunca tinha feito um bolo mármore. Muito provavelmente por conta das boas memórias dos primeiros anos de vôo solo, que coincidiram com os anos de graduação, e não quis “estragar” aquele gostinho de bolo pronto que tanto comi ( curiosamente o de laranja e o mesclado tinham praticamente o mesmo sabor). Acontece que hoje eu tinha necessidade de preparar um bolinho gostoso, reconfortante e que aquecesse o coração, que está partido e dolorido. Revisitando um dos livros preferidos, The jewish princess cookbook, encontrei a receita perfeita de um bolo de mármore pra curar tristeza.

Se você também estiver precisado de um calorzinho na alma ou souber de alguém que precise, anote aí o que vai precisar pra fazer a tristeza sair:

3 ovos separados

3/4 de xícara de manteiga sem sal

1 1/2 xícara de açúcar

1 colher de chá de extrato de baunilha

2 xícaras de farinha com fermento

3 colheres de sopa de leite

4 colheres de sopa de chocolate derretido

Comece derretendo o chocolate e pre-aquecendo o forno a 180 graus

Bata as claras em neve até ficarem bem durinhas e reserve. Bata então as gemas, a manteiga, o açúcar e a baunilha até ficar uma mistura bem leve e fofa. A parte mais chatinha é ir juntando, às colheradas alternadas, a farinha, as claras em neve e o leite enquanto vai batendo em velocidade baixa. Isso é necessário pra deixar o bolo bem fofinho.

Divida a massa em duas partes e junte o chocolate derretido a uma delas, a parte branca coloque primeiro na assadeira e depois a com chocolate por cima. Agora vale soltar a criatividade louca e fazer desenhos legais com a faca pra o bolo ficar bonito quando assar.

Forno baixo por 45-60 minutos e voilá! Eu usei minha assadeira de brownie, quadradinha.

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Sobre Ângela

Professora, mestranda e dona de casa. Ou seja, a pessoa que, na concepção dos outros, menos trabalha no mundo.

Comentários

  1. Oi Ângela
    Espero que o bolo tenha feito bastante efeito no seu coração. O meu bolo “cura tristeza” é de fubá com casquinha de açúcar, quentinho, com manteiga derretendo. É o bolo que minha mãe sempre fazia quando eu era pequena, então pra mim tem gosto de infância, casa de mãe, lamber a tigela… Tudo isso me remete a um lugar seguro e feliz 🙂
    No mais, adorei a receita, nunca fiz com chocolate derretido.

  2. Ângela diz:

    Oi, Gi, o bolo fez bastante efeito sim, mas acho que pra ficar 100% só com o tempo passando, viu? Hm… bolo de fubá é tudo de bom, né? Eu amo!
    E aí? Tentou fazer o bolo? Ele fica uma delícia, né?
    Beijo!

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