Orelhas de Hamam para Purim

[print_link] | [email_link]

Orelha de Hamam

Purim é a festa judaica que eu mais gosto, pela festa, farra e bagunça que rolam. Pra quem olha de fora e vê aquele povo todo fantasiado deve pensar que é tipo o carnaval dos judeus. A razão da comemoração? Como um amigo certa vez bem resumiu praticamente todas as festas judaicas: Derrotamos nossos inimigos! Viva! agora vamos festejar e comer!

É claro que a história não é tão simples assim… Há muito muito tempo, na Pérsia antiga, o rei Achashverosh decidiu casar-se novamente e tomou por esposa uma moça judia, Esther. O tio dela, Mordechai, aconselhou a sobrinha não revelar sua condição de judia para o marido e ela obedeceu. Mais um tempo se passa e o conselheiro do rei, Hamam, decide que os judeus deveriam ser exterminados da Pérsia. A data é decidida por meio de um sorteio, daí “Purim” – sorteios – ser o nome da festa e o extermínio fica marcado para o dia 13 de Adar. Ao saber do plano de Hamam, Mordechai vai ao palácio e avisa sua sobrinha, pedindo para que ela interviesse junto ao rei pelo futuro do povo judeu. Depois de jejuar e pensar bem sobre o assunto, Esther decide dar um banquete e tem como únicos convidados o rei e Hamam. O jantar é ótimo, mas o rei percebe que sua mulher está bastante triste e decide perguntar-lhe qual o motivo. Ela então lhe responde dizendo que está triste pois sabe que está é sua última noite, que será morta na manhã seguinte, junto com todo seu povo. Sem entender o que se passava o rei lhe pergunta por quê. Esther explica ao rei o plano de Hamam e Achashverosh decide que, ao invés dos judeus da Pérsia, é Hamam quem será morto na manhã seguinte.

Daí o docinho típico de Purim é um tipo de esfiha doce, com recheio que pode variar, e que se chama “orelha de Hamam”. Já ouvi dizer que o formato é inspirado no tipo de chapéu que Hamam usava. Motivos à parte, o docinho é uma delícia e dá-lo a amigos é um das “obrigações religiosas” desta festa.

A receita veio do meu atual queridíssimo “Cozinha judaica da Maria” e foi perfeita! Acho que nunca fiz uma massa que levasse fermento biológico e desse tão certo. Para fazê-las você vai precisar de:

500g de farinha de trigo

1 1/2 copo americano de suco de laranja (cerca de 350ml)

2 tabletinhos de fermento biológico

250g de manteiga (a receita dizia margarina, mas como eu não suporto margarina alterei)

2 gemas para pincelar

baunilha a gosto (eu coloquei uma colherinha de chá)

Dissolva bem o fermento em metade do suco de laranja (175 ml). Em uma tigela misture a farinha com a manteiga e a baunilha com as mãos. Aos poucos acrescente o suco com o fermento, sempre mexendo com a mão. Acrescente aos poucos a outra metade do suco de laranja até que fique no ponto de massa de pão (quando desgruda da mão).

A receita diz que a massa não precisa descansar, mas eu deixei ela crescer enquanto preparava o recheio. Achei uma boa medida de tempo. Depois de descansada, separe a massa em três partes e abra com um rolo formando um círculo. Com o auxílio de um copo corte vários círculos pequenos. Recheie cada um, dobre no formato de um triângulo e pincele com as gemas batidas. Asse em forno pré-aquecido a 220 graus até que fiquem douradinhas.

Quanto ao recheio, você pode inventar o que quiser. Eu fiz com goiabada, damasco e amêndoas picadas porque era o que tinha em casa, usei 100g de goiabada, 170 de damasco e 100 de amêndoas. Uma amiga me pediu para fazê-las recheadas com chocolate amargo, acho que deve ficar bem gostoso também. Ou cerejas, ou ameixas… É só deixar a imaginação rolar.

Chag sameach! E, como ouvi outro dia: Quando achar que tudo está de cabeça para baixo, lembre-se de que em Purim tudo se ajeita!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Sobre Ângela

Professora, mestranda e dona de casa. Ou seja, a pessoa que, na concepção dos outros, menos trabalha no mundo.

Comentários

  1. helena clicia diz:

    preciso desta receita, enviem-me por favor
    Grata
    HC

Deixe o seu comentário

*

css.php