A coisa mais louca que já me aconteceu na vida

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Meu sonho de adolescência era ter uma câmera à prova d’água. Mais especificamente, esta daqui:

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Era um modelo de filme, da Canon, pelo qual me apaixonei em 1998 depois que vi uma amiga da minha mãe usando. Na época era caríssima, acho que custava uns R$ 600,00, que equivaliam US$ 600,00. Ou seja, era completamente impensável. Ainda mais pra mim, do alto dos meus 13 aninhos, sonho dos grandes. Demorou muito até eu ter dinheiro suficiente pra comprar uma câmera à prova d’água; ainda mais porque, nesse meio tempo, apareceram as digitais. Havia muito poucos modelos subaquáticos digitais disponíveis e a qualidade deles não era lá grandes coisas, de modo que eu tive que esperar até 2010 para comprar minha primeira câmera à prova d’água.

Foi o primeiro modelo digital que a Canon lançou e o que me pareceu melhor custo x benefício na época em que comprei. Essa daí, infelizmente, durou pouquíssimo nas minhas mãos. Foi roubada, na mão grande, por um maldito dum crackeiro. “Paciência”, pensei, e comprei uma Nikon que virou meu xodó. Até que essa daí também se perdeu nas águas do Jalapão, como contei aqui. Aí fiquei pensando que, apesar de querer muito uma câmera à prova d’água, não estava no meu destino ser dona de uma.

Até que há duas semanas o telefone de casa tocou e um “Rafael, de Palmas” pediu pra falar comigo. Na hora não entendi nada, não me lembrava de ter conhecido ninguém com este nome quando estive no Tocantins, mas foi só ele dizer que tinha ido ao canyon da Suçuapara para minhas antenas ficarem alerta. Então ele completou a história, contando que tinha ido lá com um amigo e, enquanto nadava na cachoeira, a cordinha da minha Nikon enroscou no braço dele, que por sua vez a puxou e pegou a máquina!

Por mais incrível que possa parecer, mesmo depois de um mês e meio debaixo d’água, a danada ainda estava funcionando e tinha bateria! Ou seja, alguém querendo comprar uma câmera resistente à água e com uma bateria que dure infinitamente, a dica é a Nikon AW 100. Foi então que ele resolveu ligá-la e encontrou esta foto:

Hotel Pousada dos Girassóis

Achei uma gentileza tremenda do hotel e resolvi fotografar. Foi a minha sorte e a prova de que “gentileza gera gentileza”! Por causa dessa foto, o meu anjo da guarda conseguiu entrar em contato com o hotel, que passou meu telefone e ele me ligou. Aí só tive que passar meu endereço e esperar a kombi do SEDEX bater na minha porta.

E não é que no fim essa câmera era mesmo pra ser minha? Tanto era que voltou e agora eu é que não me desgrudo mais dela, minha companheira de viagens e histórias incríveis!

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Sobre Ângela

Professora, mestranda e dona de casa. Ou seja, a pessoa que, na concepção dos outros, menos trabalha no mundo.

Comentários

  1. Mayra Almeida diz:

    Uau!!! Essa história é mesmo incrível. Sabe já perdi muita coisa e nunca recuperei nada dessa forma. Esse rapaz é mesmo gente boa. Quem dera tivéssemos a sorte de encontrar mais pessoas assim. Aí eu teria de volta algumas bolsas, um anel que ganhei da minha madrinha, brincos… Mas é que eu sou bem distraída e aí já viu né? Mas melhorei bastante com o tempo. Enfim, sorte a sua!!!

  2. Ângela diz:

    Não foi, Mayra? Acho que ele é meu anjo da guarda! Beijo

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