Salada fatouche

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Apesar da minha biblioteca de livros de culinária ser composta quase exclusivamente por livros de receitas judaicas, eu sou chegadíssima numa comida “brima”. Se bem que, como já me disse minha amiga Yara, “a gastronomia não respeita fronteiras”, de modo que é praticamente tudo a mesma coisa. O falafel, que acho que poderia ser considerado o prato nacional de Israel, também é super apreciado no Egito; hummus é comido nas mesmas quantidades em Jerusalém e Muscat, bem como alguns dos ingredientes da salada fatouche – pepino e tomate – estão super presentes no café-da-manhã israelense (Yes! Nós somos estranhos!).

salada fattoush

É praticamente tudo a mesma coisa, eu disse,  com ênfase no praticamente, já que kibe cru com coalhada seca seria um prato inaceitável para um judeu que come casher, mas muito bem vindo na minha cozinha. De modo que só me resta agradecer a D’us pela culinária “brima”. Mas, voltando ao tema, foi num livro chamado Jerusalem onde eu encontrei a receita da salada fatouche que servi num almoço de família há alguns dias. É um livro lindo, escrito a quatro mãos por dois amigos que nasceram em partes diferentes da cidade, lado judeu e lado muçulmano, e se conheceram em Londres por acaso. Na introdução eles dizem que só depois de muitos anos de amizade é que começaram a conversar sobre a comida da cidade de onde vêm, à medida em que foram ficando mais velhos e nostálgicos, e foi então que chegaram à seguinte pergunta:

– Existe mesmo algo que possa ser chamado de comida de Jerusalém?

E não chegam à conclusão se existe mesmo alguma comida que defina a cidade Santa. Contudo, fiquei feliz de saber que a salada fatouche está no meio do bolo casher-halal e consta na lista de receitas do livro sobre Jerusalém que, afinal de contas, é a capital do Estado de Israel.

Para fazê-la você vai precisar de:

200g de coalhada

200 ml de leite integral

2 pães sírios grandes (uns 250g) que já estejam meio duros

3 tomates grandes (uns 380g) cortados em cubinhos

100g de rabanetes fatiados bem finos

3 pepinos pequenos (250g) descascados e cortados em cubinhos

2 cebolinhas (aquela que vem junto com a salsinha no cheiro-verde, não cebolas pequenas) cortadas em fatias finas

15g de menta/hortelã

25g de salsinha lisa picadinha

2 dentes de alho esmagados

3 colheres de sopa de suco de limão

60ml de azeite

2 colheres de sopa de vinagre de vinho branco

¾ de colher de chá de pimenta do reino

1 e ½ colher de chá de sal

1 colher de sopa de sumac

 

Junte a coalhada com o leite, misture bem e deixe descansar até que bolhinhas de formem na superfície, pelo menos umas três horas antes de começar a preparar a salada ou até mesmo um dia antes. Os autores também sugerem usar iogurte grego, mas os que encontramos nos mercados daqui são todos adoçados, então não vale,  porque a gente quer um gosto azedinho. Corte o pão com as mãos, grosseiramente, e coloque em uma tigela. Junte a mistura do leite e os outros ingredientes, misture bem e deixe por 10 minutos, para que os sabores se misturem bem.

Finalize com um pouquinho mais de azeite e sumac

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Sobre Ângela

Professora, mestranda e dona de casa. Ou seja, a pessoa que, na concepção dos outros, menos trabalha no mundo.

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