Afinal de contas, o que é comida casher? Parte I

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Percebi que uma das tag mais frequentes no blog é “casher” ou “kosher”, que sempre falo de comida casher, de livro de receitas casher… e aí me dei conta que eu nunca contei pra ninguém o que quer dizer casher. A tradução literal desta palavra é “próprio”, “adequado” e este é um termo que pode ser aplicado não apenas pra comida mas também pra muitos outros aspectos da vida. Por exemplo, trabalhar de sandália havaiana não é casher, um banco que está meio bamba e no qual você tem medo de sentar não está muito casher.

E o que não é casher é o que, então?  Se for comida, é “treif”, que vem do ídishe e quer dizer “rasgado”, “dilacerado” ou “taref”que quer dizer a mesma coisa mas vem do hebraico. No caso de um objeto, o banquinho bamba por exemplo, é “pasul”.

Mas, né? E a tal da comida casher? Ao contrário do que muita gente pensa, ela não é qualquer comida que tenha sido abençoada pelo rabino e nem uma comida extremamente limpa, higiênica. Há uma série de regras que devem ser seguidas para que uma comida possa ser considerada adequada ao consumo por judeus. O livro de Levítico ( ou Vaicrá), o terceiro livro da Torá, contém uma lista com a relação de todos os animais permitidos e proibidos ao consumo.

São animais permitidos:
– os ruminantes de casco fendido como gado bovino, ovelhas, veado, bode;
– peixes com escamas e nadadeiras (ou barbatanas)como bacalhau, carpa, badejo, merluza, namorado, linguado;
– as aves domésticas como galinha, pato, peru.

São animais proibidos:
– animais de casco não fendido ou não ruminantes como porco, camelo, cavalo;
– peixes de couro como enguia, bagre, cação;
– aves de caça ou selvagens como gavião, papagaio, abutre;
– todos os frutos do mar lixeiros do mar como camarão, lagosta, polvo, moluscos;
– répteis e anfíbios como rãs, cobras, lagartos, tartaruga.
– roedores como coelho e rato.

Mas não basta estar na lista para ser totalmente casher, há o modo de preparo correto desde o abate até o preparo. O abate é feito por um profissional chamado “schoichet”, ele é responsável por examinar o animal afim de verificar se ele está saudável ou não. Um animal doente, mesmo estando na lista do pode, não é casher, pois está impróprio para o consumo, uma vez que poderia transmitir a doença para quem o comesse. Estando o animal saudável ele deve ser abatido com uma faca que não pode ter qualquer imperfeição em sua lâmina (o que poderia torná-la ineficiente e assim causar sofrimento ao animal), com um único golpe em sua jugular. Não pode haver qualquer sofrimento na hora do abate, se o animal tiver agonizado mesmo que por um minuto, ele já se torna taref.

Depois do abate é necessário drenar todo o sangue do animal, pois a Torá proíbe expressamente o consumo de sangue. Primeiro o animal abatido é pendurado para que a maior parte do sangue seja drenada, depois ele é imerso em água e por fim é salgado com sal grosso.

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Sobre Ângela

Professora, mestranda e dona de casa. Ou seja, a pessoa que, na concepção dos outros, menos trabalha no mundo.

Comentários

  1. Adorei aprender isso Ângela! Sabe que moro aqui entre Higienópolis e Santa Cecília e na frente de casa tem um mercadinho frequentado por muitos judeus com uma seção de produtos casher. Não sabia exatamente todas as “regrinhas”
    bjs

  2. Ângela diz:

    Oi Mirella!
    Achei que seria legal escrever um pouquinho sobre comida casher aqui no blog já que eu sempre falo de receitas casher. Há ainda outras regras, mas as principais são essas.
    Bj!

  3. Sônia Guerra diz:

    Angela, gostei dessas informações básicas e bem didáticas sobre comida casher.
    Será que você pode me enviar as demais regras sobre comida casher?
    Bjos!
    Sônia Guerra

  4. Ângela diz:

    Oi, Sônia!
    A lista das comidas proibidas pode ser encontrada na Torá: Levítico 11: 1-47 e Deuteronômio 14: 3-20.
    Beijo!

  5. Excelente explicação. Ficou bem claro. Parabéns!

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